“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.” (Cora Coralina)

23 de setembro de 2012

O QUE É A INSEGURANÇA?

A insegurança geralmente é vista, abordada em tratamentos psicológicos e tratada como algo patológico. Nos tratamentos clássicos, dessa vida apenas, ela é entendida como algo que surgiu na infância. Nos tratamentos que lidam com a Reencarnação, como uma característica que nasceu com aquela pessoa, advinda de vidas passadas. Mas não se fala sobre o que ela é, por que assim se manifesta, o que significa. E é sobre isso esse texto.
         A insegurança é um atributo de um Ego forte ou um Ego fraco? E o que é um Ego forte ou fraco? Quais os critérios que norteiam essa definição?  Sob quais pontos de vista pode-se dizer que um Ego é forte ou é fraco? E uma pessoa insegura, apresenta um Ego forte ou fraco? Sempre se considerou que a insegurança é atributo de um Ego fraco, mas será mesmo? Precisamos, então, considerar duas coisas:

1.            O que é um Ego forte ou fraco?
2.            Sob que ponto de vista isso é assim definido?

Para isso, precisamos lembrar quem somos, de onde viemos e onde estamos. Quem somos? Um Espírito. De onde viemos? Do Plano Astral superior. Onde estamos? No Plano Astral inferior. Evidentemente, esse texto sendo escrito por um autor que acredita na Reencarnação, abordará esse estudo sob esse enfoque. Entenda-se Espírito como uma Consciência, Plano Astral superior como o período intervidas e Plano Astral inferior como a Terra.
O que é ser forte? Pelos critérios espirituais, ser forte é ser amoroso, gentil, delicado, altruísta, generoso, desapegado de si, pensar mais nos outros do que em si, não querer sobrepor-se aos demais, não ser vaidoso, orgulhoso, autoritário, não querer ser chefe de nada, querer ser igual aos outros, tratar os demais como quer ser tratado, não fazer o que não quer que seja feito para si. Todos esses atributos são de um Ego fraco, obediente ao seu Espírito, aos seus Mentores Espirituais, a Deus. E as pessoas de Ego forte são, ao contrário, egóicas, egocêntricas, egoístas, irritadas, impacientes, agressivas, autoritárias, competitivas, querem sobrepor-se aos demais, querem dominar, querem mandar, querem ser melhores, almejam ser superiores. Evidentemente, entre esses dois pólos existem inúmeras graduações, tanto para um extremo como para o outro. Digamos, para exemplificar, um Chico Xavier representando as pessoas de Ego super-fraco e um Hitler, os de Ego super-forte.
Aqui na Terra, quem são os “vencedores”? Quem são os “fortes”? Quem são os primeiros nas competições mundanas? Os de Ego forte. Quem são os inseguros, os medrosos, os tímidos? Os de Ego fraco. Então vejam: os de Ego forte são um “sucesso” aqui na Terra e ao chegarem ao Astral superior são encaminhados para os Grupos de Estudos dos autoritários, dos vaidosos, para entenderem essa sua ilusão. Os de Ego fraco, freqüentemente, são um “fracasso” aqui na Terra e ao voltarem para Casa, são recebidos com alegria, congratulações, parabenizados pela sua coragem, de manterem-se fiéis aos valores espirituais durante o teste terreno.
Quem trabalha com a Terapia de Regressão, sabe que as pessoas inseguras, medrosas, tímidas, são assim há várias encarnações e faz parte de sua proposta de Reforma Íntima, mudar essa maneira de ser, por isso esse texto, para que essas pessoas comecem a enxergar-se e a enxergar os demais e seu entorno social como deve ser visto, com a clareza necessária para que coloquem nos pratos de sua balança, de um lado os valores que possuem, verdadeiros, espirituais, eternos e, do outro, os valores definidos e apregoados como “assim que devemos ser”, “assim são os vencedores”, “esses os valores pelos quais devemos lutar e alcançar”.
Como dizia Gurdjief, o Espírito ao reencarnar entra em uma espécie de hipnose da qual, geralmente, só liberta-se ao desencarnar e retornar ao Mundo Espiritual. Essa hipnose, fortemente alicerçada e reforçada pelas mídias, faz com que a maioria das pessoas queira ser como foi decidido que devemos ser, como priorizaremos proceder, o que vamos querer, o que iremos almejar, onde queremos chegar. As classes inferiores (do ponto de vista social) lutando para sobreviver, a classe media lutando para ascender na pirâmide, a classe alta lutando para aí manter-se, uma grande parcela da população trabalhando em qualquer coisa que oportunize isso, chegando em casa, cansados dessa luta diária, não querem pensar, querem apenas descansar, ligar a televisão e ver o que acontece por aí. E o que acontece por aí? O que a televisão mostra, de acordo com seus critérios. E quais são esses critérios? Os que atraem a audiência. E o que atrai a audiência? O não-pensar, o deixa-pra-lá, o não-quero-me-incomodar, o-que-está-na-moda, o-que-dá-na-novela. Pois isso é o que vende. E por que é o que vende? Porque uma enorme parcela da população foi viciada em televisão, esse é o maior vício atualmente, competindo com o vício na Internet. Existe algo de bom na televisão? Sim, mas não vende. Existe algo de bom na Internet? Sim, mas poucas pessoas acessam. A televisão vende o fútil, o supérfluo, o imediatista, a Internet vende “a comunicação” entre as pessoas.
         O que isso tem a ver com a insegurança? Tudo. Como se sente um menino que não é bom de bola, que nunca será craque?  E uma menina que não é magrinha, que  nunca poderá ser manequim? Um adolescente espiritualista, calmo, que não gosta de bagunça, de gritaria, que gosta de ficar em casa, lendo? E um adulto que não quer ser chefe, não quer ser rico, quer apenas levar uma vida tranqüila, honesta e digna? Uma pessoa velha que está fora de moda, que dizem que está na melhor idade, mas não se sente assim? Certa ocasião atendi uma moça que afirmava ser muito insegura, medrosa, tímida, retraída, estudava Enfermagem, gostava de freqüentar Centro Espírita, que queria tratar isso. Percebi que estava diante de um Espírito acima de media, que no Mundo Espiritual estaria fazendo o maior sucesso, mas que aqui se achava um fracasso… Notei que falava com admiração de sua irmã, que, ela sim, era bonita, popular, desembaraçada, conseguia o que queria, vários rapazes aos seus pés, ao passo que ela era feia, sem criatividade, poucas amigas,  ninguém se interessava por ela.  Perguntei a ela como era sua irmã, internamente? Disse-me que era muito egoísta, autoritária, tinha ataques de raiva, só pensava nela. Fiquei um tempo observando-a, escutando o seu relato, pensando: Como é que pode um Espírito superior achar-se menos do que um Espírito inferior? Só na Terra mesmo… Em seguida, pedi a ela que pegasse uma folha de papel que lhe alcancei com um traço vertical, separando-a em duas partes, onde, acima, eu havia escrito VOCÊ e na outra parte A SUA IRMÃ. Pedi a ela que colocasse na sua parte os valores verdadeiros, do ponto de vista espiritual, ou seja, os valores morais, éticos, eternos, e fizesse o mesmo na parte destinada a sua irmã. E a deixei sozinha por um tempo. Ao retornar, vendo que ela havia terminado a tarefa, e estava chorando, muito emocionada, pedi que me alcançasse à folha de papel e vi que na sua parte a lista era bem grande, com quase duas dezenas de qualidades, enquanto que na parte de sua irmã, não passava de duas… Então lhe perguntei: Fulana, quem é superior, você ou sua irmã? E como um Espírito realmente acima da média me respondeu: ”Somos iguais, apenas eu me recordo dos valores verdadeiros e ela os esqueceu.”

(Mauro Kwitko)

10 de setembro de 2012

A Arte de se Interiorizar


Interiorizar-se é voltar-se para dentro de si. É percorrer as ruas e avenidas do próprio ser. A maioria das pessoas fica na superfície do seu psiquismo porque não treina se interiorizar. Não entra em camadas mais profundas e, quando entra, sofre por antecipação, resgata culpas, se angustia com um pessimismo. É vítima de uma introspecção mórbida. Isso não é se interiorizar - é se punir.

Interiorizar-se é uma habilidade que, se o Eu* desenvolver, circulará com mais desenvoltura no escuro da memória e garimpará com mais eficiência e rapidez as experiências mais nobres que possui. Todos nós temos um rico estoque de experiências espalhadas por grandes áreas do córtex cerebral, mas não as acessamos nos focos de tensão. Repetimos os mesmos erros como se nunca tivéssemos passado por dificuldades.

Se o Eu fosse educado para utilizar a capacidade de se interiorizar como instrumento de navegação, para circular na cidade da memória, seria possível desenvolver um raciocínio muito mais brilhante do que normalmente se tem. Grande parte das pessoas que apresentam comportamentos arrogantes, reativos, compulsivos, ansiosos, tem aporte de experiências para desenvolver raciocínios surpreendentes. Por que não desenvolvem? Porque seu Eu é um péssimo navegante nas águas psíquicas, não sabe se interiorizar. É um especialista em se exteriorizar.

O Eu com essa especialidade, como comentei, se vicia em determinados circuitos cerebrais e age instintiva e estupidamente. É fundamental que o Eu, se quiser desenvolver a autoconsciência, use sistematicamente a técnica “ser fiel a si mesmo”, caso contrário, será escravo desses circuitos cerebrais viciosos. Como se realiza essa técnica?
Primeiro, superando a ditadura da resposta: não reagir impulsivamente, rebater, contradizer, dar o troco. Usar a barreira da consciência virtual para se proteger.
Segundo, consultando-se, fazendo um stop introspectivo, mergulhando dentro de si para encontrar respostas inteligentes.
Terceiro, nesta caminhada interior, bombardear-se com a arte da pergunta. Deveria ser feito o máximo de perguntas num curto espaço de segundos: Quem sou? Quem o outro é? Por que estou comprando ofensas? Quais são as experiências que eu tenho? Que alternativas possuo? As perguntas, como vimos, ajudam no processo de se interiorizar e abrir as janelas da memória.

Não é o tamanho da memória ou a genialidade genética que determinará a eficiência da sua utilização, mas a maneira como o Eu se interioriza e explora as memórias.

*Eu – O Eu é o centro da personalidade, o líder da psique ou da mente, o desejo consciente, a capacidade de autodeterminação e a identificação fundamental que nos torna seres únicos.

(Augusto Cury – A Fascinante Construção do Eu)

8 de setembro de 2012

O Autoperdão

Apenas Deus pode perdoar, mas nós podemos nos aceitar e decidir não errar novamente. Então vamos falar dessa atitude de “perdoar-se”.

Em nosso caminho de evolução, de volta à Luz, é imprescindível que nos libertemos de nossas escuridões, de nossas imperfeições. Então, devemos nos libertar de tudo que nos prende a elas, e a culpa em relação a nossos atos, do passado ou do presente, são grilhões que nos mantêm presos aos nossos escuros labirintos internos. De que adiante alguém permanecer aferrado ao que se fez de errado, ou ao que não fez, devia ter feito, tempos atrás? O melhor é reconhecer que errou, dizer para si mesmo que não vai errar mais, cuidar para que isso não aconteça, e subir pelo seu “corredor” interno, que leva lá para cima, onde é bem mais claro e arejado.

Evidentemente, precisamos ficar atentos às pessoas que prejudicamos, e intensificar um processo de reconciliação, de harmonização com elas, reparar os nossos erros, oportunizar que tudo fique no lugar certo. Mas, sem culpa, sem auto-reprovação, que não leva a lugar nenhum, fica rodeando dentro de si mesmas, afundando-nos cada vez mais na escuridão. 
Devemos nos  perdoar para que, com isso, tornemo-nos pessoas mais evoluídas, mais puras, melhores conosco mesmos e  com os outros, principalmente com que temos, ou tivemos conflitos, pois é aí que podemos exercitar a ascensão espiritual.

Muitas pessoas estão presas ao seu passado, martirizando-se, culpando-se, lamentando o que fizeram, o que deixaram de fazer, mas e o presente? Somente o que podemos modificar é o presente. E o futuro? É a continuação do presente. Uma encarnação é como uma escola em que viemos aprender a ser bons discípulos, a sermos bons conosco e com os outros, a nos iluminarmos e aos outros, até um dia, alcançarmos aqui o grau evolutivo dos Mestres e aí passarmos a servir de exemplo para nossos irmãos de jornada.

Culpa, angústia, autopunição, é perda de tempo, só leva às doenças psíquicas, à depressão, ao câncer, ao reumatismo e outras doenças de fundo autodestrutivo, autopunitivo. Deveríamos olhar para cima e para frente, acessar os Guias Espirituais e aprender com Eles a nos salvar, ascender, transcender nossas limitações, e, com isso, elevarmos nossa freqüência vibratória, o que nos possibilita um mais elevado nível de consciência.

O Dr. Bach, criador da Terapia Floral, diz assim: “A maior lição da vida a ser aprendida é a liberdade em relação às circunstâncias, ao ambiente, a outras personalidades e, para muitos de nós, liberdade em relação a nós mesmos, pois, até que sejamos livres, somos incapazes de dar e servir aos nossos irmãos de maneira completa.”

Podemos nos perdoar em nossos pensamentos e sentimentos, de coração, numa atitude compatível com nosso Eu Espiritual. Ninguém pode eliminar nossos “pecados” a não ser nós mesmos, numa verdadeira mudança de rumo, numa atitude ascensional, numa priorização de nossa essência espiritual.

Não existem perdões externos, absolvições, redenções de quem quer que seja, pois o que fazemos de errado são energias negativas que permanecem atreladas a nós e, então, apenas nós mesmos podemos eliminá-las. Para isso existe a Lei do Retorno.

A investigação e tratamento do Inconsciente é um avanço da arte de curar que começa a se sedimentar-se nas áreas médica, psicológica e psicoterapêutica.
O autoperdão é uma boa maneira de nos livrarmos do egocentrismo e endereçarmos melhor nossa energia amorosa aos outros.

(Mauro Kwitko – Como Aproveitar a Sua Encarnação)