“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.” (Cora Coralina)

16 de junho de 2013

A verdade por trás das nossas escolhas e decisões

Guardamos no nosso inconsciente uma série de conflitos emocionais e sentimentos negativos que nos levam a fazer a maior parte das nossas escolhas. Pensamos que estamos decidindo por nós mesmos, pela sã consciência, quando, na verdade, somos levados a agir pela negatividade presente no nosso inconsciente. 

Estamos tão acostumados a carregar essa carga negativa que nos confundimos com ela e achamos que somos nós que estamos no comando das decisões. Vou dar vários exemplos de como isso funciona.

Em uma sessão de atendimento, uma cliente relatou que havia decidido não pedir pensão alimentícia ao pai do seu filho. Alegava que ele podia ficar com raiva e rejeitar ainda mais a criança. Sentia medo que ele chegasse a bater no filho, embora ele nunca tenha tido contato com a criança. Isso era apenas uma suposição dela.

Tratamos o medo e este foi dissolvido. Depois tratamos o medo que ela sentia da reprovação de seus pais, que ela achava que jamais concordariam com uma briga judicial. O resultado é que ela mudou seu pensamento e resolveu que iria sim procurar juridicamente os direitos do filho.

Antes de trabalhar o medo, este sentimento era quem tomava a decisão em seu lugar. Ela, no papel de mãe cuidadosa, agia dessa forma para proteger o filho. Mas era o medo quem comandava o que devia ser feito. Uma vez que esse sentimento foi dissolvido, sua decisão mudou naturalmente.

Lembro de outro caso de uma cliente que estava muito insatisfeita em um relacionamento. Mas ela não conseguia se decidir se queria continuar ou acabar o namoro. Só de pensar em terminar tudo sentia muita pena e culpa. Depois que essas emoções foram dissolvidas, ela sentiu com muita clareza que o melhor a fazer seria romper, e foi o que ela fez.

O peso da culpa e dos sentimentos de pena leva muitos pais e mães a se tornarem reféns dos filhos, fazendo tudo o que eles querem. Não conseguem dizer não e impor limites. Dizem sim, quando no fundo queriam dizer não.

Quando faço perguntas durante os atendimentos aos clientes sobre o que eles estão pensando, e estes estão cheios de emoções em conflito, quem responde às perguntas não é o ser humano que está ali. Sim, o cliente abre a boca e fala. Até parece que é ele que está se manifestando. O próprio cliente jura que é ele mesmo quem está emitindo sua opinião. Mas quem responde as perguntas são essas emoções negativas. Elas tomam conta dos pensamentos daquela pessoa. É uma energia que se apossa da mente e interfere nas opiniões e decisões.

Meu trabalho como terapeuta é trazer de volta o Ser que está sendo encoberto pelo conflito emocional. E isso só é possível depois que a emoção negativa é dissolvida. As opiniões e ações acabam mudando. É como se a pessoa real despertasse. Depois disso, posso perguntar as mesmas coisas de antes, e é o ser humano quem vai responder, e não a energia negativa das emoções em conflito.

A emoção funciona como um véu, um filtro que entorpece a mente, distorce a realidade e cria uma série de pensamentos que dão origem a várias ações e escolhas. Quanto mais cheio o nosso inconsciente estiver com conflitos e emoções negativas, mais os nossos pensamentos e comportamentos serão influenciados de uma forma não saudável.

Tem mulheres que só escolhem homens que as fazem sofrer. Tem pessoas que sempre escolhem amizades com pessoas destrutivas. Outros sempre entram em negócios que dão errado. Muitos pensam até que isso é fruto do acaso. A força negativa inconsciente é sutil, age em um nível profundo influenciando tudo aquilo que escolhemos. É tudo tão silencioso que só podemos achar que é falta de sorte.

No caso de emoções intensas, é fácil perceber o poder que elas têm sobre o que falamos e sobre o nosso comportamento. Em um momento de grande raiva, podemos falar coisas que jamais falaríamos se estivéssemos em paz, pode até ocorrer um ato de agressão verbal ou violência física.

Mas todas as emoções negativas, mesmo as mais sutis e inconscientes, moldam o nosso comportamento. Uma culpa ou sentimento de rejeição que podemos carregar desde que estávamos sendo gerados também influenciam nossas escolhas. A raiva que o adulto guarda de seus pais desde a infância é projetada no marido ou esposa gerando brigas.

Não tomar uma decisão também é uma escolha que pode ser influenciada pelo inconsciente. É isso que acontece quando procrastinamos, ou seja, quando deixamos de fazer algo que sabemos que temos que fazer para nos beneficiar ou para evitar algum dano.

Atendi um empresário que precisava ligar para um cliente para resolver uma questão de insatisfação. Ele colocou essa tarefa na agenda para fazer no mesmo dia. Passaram-se três dias, e nada de ligar. Medo da reação do cliente, sentimento de culpa por ter causado o problema, vergonha, etc. Tudo isso era o que estava comandando a sua falta de ação.

Muitas pessoas permitem, sem perceber, que suas emoções negativas moldem a escolha da profissão: medo de seguir o próprio caminho e ser reprovado pelos pais; medo de não conseguir ser bem-sucedido na sua verdadeira vocação; medo da falta de estabilidade.

Às vezes, pergunto às pessoas no que gostariam de trabalhar e elas dizem que queriam passar em um concurso. Mas quem está respondendo a essa pergunta? Normalmente, não é aquela pessoa que responde, e sim, seus medos e inseguranças. Boa parte dessas pessoas não tem a menor vocação para ser funcionário público. No fundo, elas gostariam de abrir um negócio; seguir uma carreira artística; ensinar; dar palestras, etc.

Quanto mais descobrimos e limpamos a carga emocional que acumulamos, mais entramos em contato com a nossa essência, nossa missão de vida e sabedoria mais profunda. Nossas decisões se tornam cada vez mais verdadeiras e acertadas, levando a uma vida de plenitude e satisfação.

Beber em excesso, fumar, drogar-se, destruir a si mesmo, etc. Ninguém escolhe nada disso. A força inconsciente contida dentro do ser humano é que o leva para esses caminhos. Felizmente, essa negatividade não faz parte da essência, pois ela pode ser completamente curada.

E, no seu caso, que decisões e escolhas têm sido feitas pela força negativa inconsciente?


(André Lima)

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