“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.” (Cora Coralina)

8 de abril de 2014

Construir-se para construir

Jamais há de ser verdadeiramente médium, em sua plenitude espiritual, quem não compreender a santificada e secreta grandeza que confere esse poder psíquico, grandeza que implica humildade e responsabilidades sempre renovadas. Pesadas responsabilidades, por sinal, de muitas e surpreendentes facetas, que exigem conduta moral sobremaneira íntegra.

Para se construir um edifício muito elevado, no mundo físico, é imprescindível que a base seja ampla e forte. Da mesma forma, para de conquistar alturas espirituais, é necessário alicerce moral amplo e sólido. Sem essa base, os contatos jamais se alçarão aos planos dos Espíritos Superiores. Hão de ficar restritos ao comércio psíquico com entidades inferiores, que nunca trazem algo de bom; pelo contrário, muitas vezes nos tornam meros escravos de suas exigências de baixo padrão.

A construção de nós próprios deve ser tão perfeita e cristalina como o trabalho espiritual que abrigaremos e que através de nós se há de realizar.

Assim como o ato volitivo, ou a palavra, tem o poder de modificar o mundo que nos cerca, assim também as energias do pensamento, do sentimento e o poder magnético do espírito encarnado influem nos domínios invisíveis do mundo imaterial, só que de maneira ainda mais intensa e precisa. Se bem conduzida, a energia emanada da vontade pode modificar os ambientes dos espíritos e até o corpo astral deles. Isso tem maravilhosa aplicação no campo das curas, pelo tratamento magnético que pode ser aplicado diretamente sobre eles, aliviando-lhes as dores.

O uso positivo de nossas energias sutis, em sintonia com a Grande Lei de Harmonia Cósmica, mergulha-nos em intenso halo criador. O oposto, isto é, o emprego das forças psíquicas e dos poderes do espírito para fins puramente pessoais e egoístas (visando a interesses materiais e imediatistas), é profanação de um dom divino. Implica violar a própria Lei da Evolução, por ignorância da razão de ser da mediunidade.

O Caminho certo
Os médiuns plenamente conscientes de seu dever tem profunda reverência pela função sublime da mediunidade. Não aceitam elogios, para não alimentar a vaidade, nem se compungem com lamentações em seus infortúnios, que também só afetam os valores externos da personalidade. O verdadeiro Iniciado passa pela vida com seu sacrário interior intangível, tanto pelos aplausos como pelas agressões dos profanos. Para se conduzir dessa forma, no entanto, é preciso imensa fé, inexpugnável fortaleza interior alimentada pelos caudais do Mundo Maior.

Se o aluno das Verdades Eternas aceitar, desde o início, o fenômeno mediúnico como um dom divino, se o considerar instrumento de um verdadeiro apostolado e o tratar como tal; se exercitar sua mediunidade, sentindo-a sagrada; conseguir se integrar nela, com coração e mente, então, sim, os umbrais da espiritualidade superior abrir-se-ão a sua vontade. Uma vez transposto esse estágio com lapidada pureza, seus poderes psíquicos hão de se ampliar, transformando-o em instrumento da luz. A conscientização do médium atingirá, então, o limiar da Iniciação Superior. A mediunidade será para ele um prêmio divino a seus esforços, permitindo-lhe desenvolver continuamente seu campo de ação e, ao mesmo tempo, oferecer, enriquecidas pelo amor, suas energias psíquicas aos necessitados.

Esclarecemos que não é objetivo nosso exalçar essa faculdade psíquica, colocando-a em pedestal. Nossa intenção é outra: queremos tornar bastante evidente o caráter sagrado da mediunidade, com todas suas implicações. O médium que não a sentir assim, nem se conscientizar de suas responsabilidades, na verdade não será digno de ser médium. Nisso, aliás, não estamos sendo originais. Todos os grandes iniciados, os Mestres de todas as épocas e entidades desencarnadas com função orientadora veicularam sempre esses ensinamentos.


(Espírito/Matéria – José Lacerda de Azevedo)

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