“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.” (Cora Coralina)

4 de novembro de 2014

Hipnose Clínica

A hipnose é um fenômeno universal, portanto, ela pode ser encontrada na história da humanidade desde os seus primórdios. As induções hipnóticas são tão antigas quanto a comprovação da existência das civilizações antigas, passando por culturas diferentes em danças, rituais, expressões orais, forças da natureza, vindas desde povos não civilizados até os civilizados, todas seguindo e procurando um estado especial de consciência: o Transe.

Século XXX a.C.:
No Egito via-se, através de papiros, que os sacerdotes induziam um certo tipo de estado hipnótico.

Século XVIII a.C.:
Na China induzia-se um certo tipo de transe hipnótico para se buscar a aproximação entre os pacientes e seus antepassados.

Mitologia Grega:
Asclépios (o Esculápio dos romanos) aprendeu com o centauro Quiron um tipo de sono especial que curava as pessoas, muitos dormiam no templo do Deus, e durante a noite se dava a cura.

Século XI:
Avicena (980-1037), sábio, filósofo e médico iraniano, acreditava que a imaginação era capaz de enfermar e de curar pessoas.

Século XVI:
Paracelsus (1493-1541), pai da medicina hermética, acreditava na influência magnética das estrelas na cura de pessoas doentes. Confeccionava talismãs com inscrições planetárias e zodiacais.

Século XVIII:
Franz Anton Mesmer (1734-1815) foi considerado aquele que inaugurou a fase científica da hipnose. O início da história formal da hipnose se deu em 1765 com os trabalhos de Mesmer, que utilizando de ímãs (magnetismo) na fronte das pessoas curava dores e doenças naquela época, mas em 1784 foi considerado charlatão. Teve discípulos, como, marquês de Puységur (1751-1825) e Pe. José Custódio de Faria (1755-1819).

Século XIX:
James Braid (1795-1860) cunhou o termo hipnotismo, do grego hypnos (sono). Induzia o transe por fixação do olho a um ponto acima da linha dos olhos.
James Esdaile, médico inglês, fazia grandes cirurgias sem anestesia durante a guerra na Índia, utilizando as técnicas de Mesmer.
A escola de Nancy, considerava que o estado de transe era um estado normal e não patológico, e que a sugestão operava somente quando encontrava um eco interno, uma auto sugestão.
A escola de Salpêtrière, onde Freud fora fazer seus estudos, considerava o estado de transe como algo que só acontecia como estado patológico.
Jean Martin Charcot (1825-1893), neurologista, após estudo com pacientes histéricos, considerou o transe com um estado patológico de dissociação, dividido em três níveis: a catalepsia, a letargia e o sonambulismo. Foi o fundador da escola de neurologia da Salpêtrière.

Século XX:
Após a Segunda Guerra Mundial, a hipnose começou a retomar força no tratamento dos traumas pós-guerra, vieram novas teorias.
Milton H. Erickson (1901-1980), psiquiatra e psicoterapeuta, observador nato, percebeu a natureza multidimensional do transe, que se modifica experiencialmente de pessoa a pessoa. Por mais que haja definições, serão sempre uma visão pessoal que falharão em explicar algum ponto e não substituirão a experiência real de viver a hipnose. Era conhecido nos EUA como Sr. Hipnose.
O padrinho brasileiro da hipnoterapia é o psicólogo e professor Molomar Lund Edelweiss, nascido em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. Foi um dos primeiros divulgadores das obras e trabalhos de Milton H. Erickson no Brasil.

Todas as teorias até hoje desenvolvidas são úteis, mas não conseguiram definir hipnose e dar a última palavra na descrição do processo e da experiência hipnótica.
É considerada como um estado de consciência diferente do estado de vigília; é um estado de atenção focalizada, uma absorção: a mente consciente focalizada a atenção em alguma coisa especial (percepção, pensamentos, imagens, estórias, amor, etc) e há uma dissociação da mente inconsciente (automatismos).

Normalmente ela é induzida, ou até autoinduzida, a boa relação entre as duas partes é uma condição importante, o rapport gera a confiança, a abertura, e faz com que aquele que guia possa ser ouvido e atendido em sua faculdade de absorver a atenção. O resto quem faz é a pessoa que está sendo hipnotizada, a hipnose vem de dentro da pessoa.

Num conceito mais atualizado, a hipnose, acontece pela interação das duas partes.


Para se trabalhar com hipnose é preciso saber o que é, e não deixar os mitos atrapalharem o processo terapêutico.

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