“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.” (Cora Coralina)

31 de julho de 2015

Reforma Íntima – Autotransformação

A reforma íntima deve ser considerada melhoria de nós mesmos, e não a anulação de uma parte de nós considerada ruim. Uma proposta de aperfeiçoamento gradativo cujo objetivo maior é a nossa felicidade.

Quem está na reforma interior tem um referencial fundamental para se autoanalisar ao longo da caminhada educativa, um termômetro das almas que se aprimoram; inevitavelmente, quem se renova alcança a maior conquista das pessoas livres e felizes: o prazer de viver.

A reforma íntima é um trabalho processual. Processual significa aquilo que obedece a uma sequência. Em conceito bem claro, é a habilidade de lidar com as características da personalidade melhorando os traços que compõem suas formas de manifestação. Caráter, temperamento, valores, vícios, hábitos e desejos são alguns desses caracteres que podem ser renovados ou aprimorados.

Nessa saga de mutação e crescimento, o maior obstáculo a transpor é o interesse pessoal, o conjunto de viciações do ego repetido durante variadas existências corporais e que cristalizaram a mente nos domínios do personalismo.

Negar a si mesmo ou despersonificar-se, esvaziar-se de si mesmo, tirar a máscara é o objetivo maior da renovação espiritual. Esse é o grande desafio a ser seguido por todos os que se comprometeram com seriedade neste caminho. Extenso será esse caminho reeducativo na vitória sobre nossa personalidade manhosa e talhada pelo egoísmo.

Consideremos alguns comportamentos que serão efetivos roteiros de combate, vigília e treinamento no processo autotransformador:
  • Observação de si mesmo – é o estudo atento de nosso mundo subjetivo, o conhecimento das nossas emoções, o não julgamento e a autoavaliação constante.
  • Renúncia – a mudança íntima exige uma seletividade social dos ambientes e costumes, em razão dos estímulos que produzem reflexos no mundo mental. No entanto, a renúncia deve se ampliar também ao terreno das opiniões pessoais e valores institucionais, para os quais, frequentemente, o orgulho nos ilude.
  • Aceitação da sombra – sem aceitação da nossa realidade presente poderemos instaurar um regime de cobranças injustas e intermináveis conosco e, posteriormente, com os outros. A mudança para melhor não implica destruir o que fomos, mas dar nova direção e maior aproveitamento a tudo o que conquistamos, inclusive nossos erros.
  • Autoperdão – a aceitação, para ser plena, precisa do perdão. Recomeço é a palavra de ordem nos serviços de transformação pessoal.
  • Cumplicidade com a decisão de crescer – o objetivo da renovação espiritual é gradativo e exige devoção. Somente assumindo com muita seriedade esse desafio o levaremos avante. Imprescindível a atitude de comprometimento com a meta de crescimento que assumimos.
  • Vigilância – é a atitude de cuidar da vida mental. É a postura da mente alerta, ativa, sempre voltada para ideais enriquecedores.
  • Oração – é a terapia da mente. Por meio dela, igualmente, despertamos na intimidade forças nobres que se encontram adormecidas ou sufocadas por nossos descuidos de cada dia.
  • Trabalho – dar utilidade a cada momento do nosso dia é sublime investimento de segurança e defesa no projeto de crescimento interior.
  • Tolerância – toda evolução é concretizada na tolerância. Há tempo para tudo e tudo tem seu momento. Os objetivos da melhoria requerem essa complacência para conosco a fim de que haja mais resultados satisfatórios. Complacência não significa conformismo, mas caridade com nossos esforços.
  • Amor incondicional – aprender o autoamor é o maior desafio de quem assume o compromisso da reforma íntima; sem autoamor a reforma íntima se reduz a tortura íntima. Aprender a gostar de si mesmo, independentemente do que fizemos no passado e do que queremos ser no futuro, é estima a si mesmo, um estado interior de júbilo com nosso retorno lento, porém gradativo, para uma identificação plena com o Pai.
  • Socialização – se o interesse pessoal é o grande adversário de nosso progresso, então a ação em grupos de educação espiritual será excelente medicação contra o personalismo e a vaidade.
Conviveremos bem com os outros na proporção em que estivermos convivendo bem conosco mesmos.

O exercício de negar a si mesmo não inclui o descuido ou descrédito pessoal, confundindo a sombra que precisamos reciclar com necessidades pessoais que não devemos desprezar, para o bem-estar e equilíbrio. Cuidemos, apenas, de vincular essas necessidades aos novos rumos que escolhemos. Fazemos essa menção porque muitos corações queridos do ideal supõem que reformar é negar ou mesmo castigar a si mesmos, quando o objetivo do projeto de mudança espiritual é tornar o homem mais feliz e integrado à sua divina tarefa perante a vida.

Disponibilidade para servir e aprender é a virtude mais completa e eficaz para quantos desejam a autoiluminação.


(Reforma Íntima Sem Martírio – Wanderley Oliveira)

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